terça-feira, 8 de abril de 2008

Definindo... Primeira Parte... Eis que surge a Música de Raíz!

Neste momento, o foco está voltado à música de raiz. Sei que se trata de um trabalho antropológico, porém para os que acompanham as publicações deste humilde blog peço licença para contar a história do surgimento deste segmento e ainda para encaixá-lo na linha do tempo. Somente para constar, as informações deste post como também o trecho a seguir, foram parcialmente colhidas do “Clube Sertanejo”.

A riqueza da música sertaneja de raiz está na diversidade de seus toques. Assim, mantendo as características básicas de harmonia, a essência da música sertaneja de raiz não é voltada às variações e alterações de acordes, mas à complexidade dos toques.
Clube Sertanejo


Não se sabe ao certo quando surgiram as primeiras músicas de raiz, mas um bom parâmetro é Cornélio Pires. Conhecido pelas anedotas e modas, onde o personagem é a figura do caipira, Cornélio reúne recursos para financiar gravações de discos e apresentações das principais duplas paulistas no início da década de 20. Tocando violão e viola sertaneja e cantando sempre em duas vozes, as músicas desta fase são conhecidas como “modas de viola”.
Seu auge se deu entre as décadas de 1940 e 1960, mas o constante esvaziamento do campo motivado pela modernização e pela fuga para os centros urbanos fez com que o som dos instrumentos fossem rotulados como “fora de moda” e com isso deixaram de serem ouvidos nas cidades. Mas a rendição do modismo veio a “galope”. A força da genuína musica raiz fez com que, aos poucos, a velha viola sertaneja voltasse aos palcos e aos grandes festivais. As décadas de 70 e 80 foram as que firmaram ainda mais o sertanejo de raíz. Tião Carreiro fez nome e até hoje é associado ao estilo musical.
Nomes que foram registrados na história da musica brasileira fizeram parte deste movimenta rural: Tião Carreiro, Pena Branca e Xavantinho, Tonico e Tinoco entre outros.

*Resumo de características:
Vestimentas simples, sempre com chapéu da cabeça, bota nos pés;
Músicas melancólicas, tocadas com violas, com letras que remetem aos hábitos sertanejos.


Obs: Capa do primeiro LP solo de Tião Carreiro, na década de 70. Ele nunca frequentou escola de música e foi autodidata também na escrita. Intuitivamente criou novas batidas de viola para a música sertaneja que viraram estilos musicais. Apesar do sucesso comercial com o companheiro Pardinho, Tião nunca abandonou suas raízes e lançou discos solos instrumentais onde a estrela era a sua maravilhosa viola.
(Créditos: MUBI - Música Brasileira Independente)


Marcelo Casagrande




Um comentário:

Alvaro O disse...

Para pensar: o quanto da descrição é estereotipada? O sertanejo pode ser visto como um caso de "cultura popular"?